29.9.09

A charada do Bosch



Apresentação

Olá. Chamo-me Milda. Sou estudante de História na Univesidade de Vilnius. Adoro os meus estudos e as minhas aulas de português. Sou interessada em política, arte, linguas e culturas estrangeiras, gosto muito de alguns grupos musicais contemporâneos portugueses, assim como alguns filmes. Em tempo próximo gostaría de fazer pesquisas históricas sobre as ligações entre Portugal e a Lituânia.

Boscho mįslė

Boscho (1453-1516 m.) kūryba, kurioje idiliškas rojaus vizijas keičia pragaro vaizdai, o malonias būtybes – siaubūnai, atgrasios metamorfozės ir paslaptingi simboliai, yra unikali meno istorijos dalis. Dailininkas laikytas siurrealizmo šaukliu, savotišku Salvadore‘o Dali‘o pirmtaku, su iš pasąmonės kylančiomis ir nerimą keliančiomis figūromis, Edipo komplekso kamuojamu psichopatu, apsėstu minties apie seksą, Laisvosios dvasios brolių, arba adamitų, sektos, išpažinusios laisvą lyčių bendravimą, susiformavusį dar iki pirmapradės nuodėmės laikų, nariu arba negailestingu žmogiškųjų ydų smerkėju. Kalbėta ir apie jo ryšius su alchemija, astrologija, magija, spiritizmu, okultiniais mokslais, šalia to dailininkas kaltintas vartojęs pragariškas priemones, sukeldavusias haliucinacijas. Gilintasi į jo religinį ir kultūrinį pasaulį, ieškant visų įmanomų fantasmagoriškų ikonografinių jo kūrybos elementų šaltinių. Pasak vieno ispanų vienuolio, Jose de Seguencos, „Skirtumas tarp šio žmogaus kūrinių ir kitų kūrinių yra tas, kad kiti piešia žmones tokius, kokie jie atrodo išoriškai, o jis drįsta nupiešti juos tokius, kokie jie yra viduje“.
Jis pasirašinėdavo Jheronimus Bosch, tačiau tikras vardas, kaip matyti iš oficialių dokumentų, buvo Jeroenas Anthoniszonas van Akenas. Pseudonimą greičiausiai pasirinkęs pagal gimtojo miesto pavadinimą – Hertogenboschas (Hercogų Miškas) – olandų miestelį netoli Belgijos sienos, norėdamas išsiskirti iš kitų savo šeimos narių, kurių daugelis irgi buvo dailininkai.
Pačioje XVI-ojo amžiaus pradžioje (~1503 m.) sukurtas triptikas „Linksmybių sodas“ – neabejotinai vienas simboliškiausių ir mįslingiausių Boscho kūrinių, sukėlusių daugiausia aiškinimo hipotezių ir spėliojimų apie autoriaus religinius ir seksualinius polinkius. Tradicinė ir labiausiai paplitusi interpretacija yra alegoriškas moralizuojantis gašlumo pasmerkimas. Kairėje triptiko pusėje matome blyškiais tonais nutapytą Pradžios knygos trečiąją dieną – Ievos gimimą žemės rojuje, kuriame gyvena egzotiški gyvūnai. Dešinėje – vienas iš įspūdingiausių pragaro vaizdų. Vidurinėje triptiko dalyje vaizduojamas fantastinis skaidrių, švytinčių spalvų sodas, su neįtikėtinais stiklo statiniais, kur, apsupti gyvūnų ir paukščių, daugybė vyrų ir moterų begėdiškai mėgaujasi įvairiausiais erotiniais žaidimais. Boschas rodo mums netikrą rojų, kupiną gašlumo simbolių, paimtų iš tradicinio repertuaro, taip pat iš alchemijos, netikro mokslo, kuris, kaip ir kūniškosios nuodėmės, atitraukia žmones nuo išganymo.
Pirmuoju straipsniu Olá Lietuva blog‘e norėjau pasidalinti įspūdžiu, kokį man sukelia šis išskirtinis dailininkas savo darbais, smarkiai išsiskyrusiais iš bendros masės jo gyventoje epochoje. Ir nesvarbu, ar žvelgsiu į triptiko originalą Madrido Prado muziejuje, ar Pragariškų Malonumų dalies reprodukciją savo kambaryje, Boschas skatins žvelgti į pasaulį iš kito taško ir į pačias dalyko gelmes.


The riddle of Bosch

The creative of Bosch (1453-1516), in which idyllic visions of heaven are being changed by sceneries of hell and nice creatures – by direful ones, rebarbative metaporphosis and mysterious signs, is an unique part of the history of art. The painter was considered by many critics as a herald of surrealism and as a progenitor of Salvador Dali, with figures raising from the subconscious and causing concern. He was also seen as a psychopath embattled by Oedipus complex and was obsessed with sex; as a member of a sect of Brothers of Free Spirito or ‘adamits’ that professed free intercourse of genders and which has been formed before the times of primordial sin, or as a rigorous denunciator of human defects. There have been disucssions about his relations with alchemy, astrology, magic, spiritism and occult; besides this the painter was charged with using hellish means by which to cause hallucinations. There have been deep investigations into his religious and cultural world in the hope of finding the phantasmagoric iconographic sources of his creative elements. According to one Spanish monk, Jose de Seguenca, ‘The difference between creation of this person and other creations is that others are painting humans as they are outwardly and he is painting them as they are inwardly’.
Whilst he was signed himself as ‘Jheronimus Bosch’, according to official documents his real name was Jeroen Anthoniszoon van Aken. Likely he chose a pseudonym of his home town name – Hertogenbosch (Forest of Dukes) – the Dutch town near the border with Belgium, most likely because he wanted to distinguish himself from other members of his family, many of whom were also painters.
At the beggining of 16th century (~1503) created triptychm ‘The Garden of Earthly Delights’ is undoubtedly one of the most symbolic and mysterious creations of Bosch. It has raised the most hyphotheses and speculations about the author’s religious and sexual attitudes. The traditional and most commonly accepted interpretation is that it is an allegoric preachy comdemnation of salacity. On the left side of triptych we can see in palish colours painted the third day from Book of Genesis – the birth of Eve in earthly heaven where exotic animals are living. On the right – one of the most impressive views of hell. In the middle part of triptych is represented a fantastic garden of transparent, glowing colours with incredible glass constuctions, surrounded by animals and birds, with many men and women wantonly indulging in various erotic games. Bosch shows us fake heaven full of salacity symbols that are taken from tradicional repertoire also from alchemy, the fake science, which as well as corporeal sins withdraw humans from saviour.
With a first article in Olá Lietuva blog I wanted to share with an impression which is caused to me by this outstanding painter with his works so distinguished from common mass in his epoch. And it does not matter if I would look at original triptych in Prado museum of Madrid or to reproduction of Hellish Pleasures‘s part in my room, Bosch will encourage to look at the world from different point and exactly to the depth of the matter.
(Appreceated to Simon Bradley for cooperation)


A charada do Bosch

A criatividade de Bosch (1453-1516), na qual visões idílicas do paraíso oscilam com cenários do Inferno, onde seres agradáveis são transfigurados em criaturas medonhas, metamorfoses e misteriosos sinais, constituem um capítulo único da História da Arte. Bosch for considerado por diversos críticos como um mensageiro do surrealismo e precursor de Salvador Dali, com figuras retiradas do subconsciente, capazes de criar preocupação e perturbação. Ele foi igualmente visto como um psicopata embuído do complexo de Édipo e obsecado por sexo; como um membro da seita dos Irmãos de Espírito Livre (ou ‘adamits’), que profetizavam as livres relações entre géneros, as quais foram formadas antes do tempo do pecado primordial, ou como um rigoroso denunciador dos defeitos humanos. Têm havido debates acerca das suas relações com a alquimia, astrologia, magia, espiritismo e ocultismo, tendo o pintor sido inclusivamente acusado de usar meios malévolos com o intuíto de causar alucinações. Têm igualmente existido profundas investigações acerca da sua esfera religiosa e cultural na esperança de encontrar fantasmagóricas fontes iconográficas nos seus elementos criativos. De acordo com o monge Espanhol, Jose de Seguenca, “A diferença entre as criações desta pessoa (Bosch) e a de outros, é que outros pintam os humanos tal como estes são na sua aparência, e ele pinta-os tal como eles são interiormente”.
Embora Bosch assinasse como “Jheronimus Bosch”, de acordo com documentos oficiais, o seu real nome era Jeroen Anthoniszoon van Aken. Provavelmente ele escolheu um pseudónimo baseado no nome da sua terra natal – Herbogenbosch (Floresta dos Duques) – uma localidade Holandesa situada perto da fronteira com a Bélgica, eventualmente porque este pretendia distinguir-se dos restantes familiares, muitos dos quais eram igualmente pintores.
No início do século XVI (~1503), Bosch criou o tríptico (três painéis) “O jardim das Delícias Terrenas”, que é indubitavelmente, uma das suas mais simbólicas e misteriosas criações. Foram levantadas as mais diversas hipóteses e especulações acerca das crenças religiosas e atitudes sexuais do autor. A mais tradicional e aceite interpretação é que se trata de uma alegórica condenação da devassidão. Do lado esquerdo do tríptico podemos observar em cores pálidas, o terceiro dia do livro do Genesis – o nascimento de Eva no Paraíso terrestre, onde habitam animais exóticos. Por outro lado, do lado direito temos umas das visões mais impressionantes do Inferno. Na parte central dos painéis temos uma representação de um fantástico jardim, com cores vivas e brilhantes, incríveis construções de vidro, cercadas por animais e pássaros, e com diversos homens e mulheres desenfreadamente involvidos em jogos eróticos. Bosch apresenta-nos um falso Paraíso carregado de símbolos devasos, retirados de um reportório igualmente tradicional na alquimia, a falsa ciência, que tal como pecados corporais retiram o Homem do Salvador.
(Quero agradecer ao Pedro Pinto pela ajuda)




Com este primeiro artigo no blog Olá Lietuva, pretendo partilhar as minhas impressões acerca deste extraordinário pintor, através deste trabalho tão distinto dos demais na sua época. Não importará se apreciarei o original deste trabalho no Museu do Prado em Madrid ou uma reprodução de parte do mesmo no meu quarto. Bosch irá sempre encorajar-nos a olhar para o mundo de uma perspectiva diferente e com grande profundidade.


1 comentário:

  1. o artigo não está relacionado com Portugal...

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